Liderança cristã na atualidade










FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DO PARANÁ

Programa de Mestrado Profissional em Aconselhamento Pastoral





Por: Jeverson Nascimento[1]

Professor: Prof. Dr: Luiz Soares Silvado



Artigo apresentado como requisito parcial para a disciplina Teologia Contemporânea do Programa de Mestrado da Faculdade Teológica Batista do Paraná.







Curitiba

2015





Resumo



O presente artigo traz como escopo a liderança cristã na atualidade e os grandes desafios entre líderes e liderados. Para tanto, esses escritos anseiam contribuir para o diálogo acadêmico sobre líderes e liderados. Trabalhando o perfil de um líder cristão é possível verificar o porquê dos grandes conflitos na vida diária de cada líder. Os deveres de um líder cristão estão presentes, deixando claro que para ser um bom líder é preciso estar ciente dos seus deveres como líder, pois os conflitos de hoje são atribuídos à falta do cumprimento do papel de cada líder. A Bíblia nos dá um respaldo para definir o que é liderança e os desafios que ela enfrenta na modernidade. Destacando que uma vida cheia do espírito ajuda o líder a vencer os desafios de liderar em um mundo pós-moderno. Apresenta-se, também, um breve relato bíblico sobre a posição das escrituras referente à liderança cristã e faz-se o fechamento, afirmando que, é impossível liderar sem ser liderado.



Palavras-chave: Liderança. Cristã. Conflitos. Líderes. Liderados. Bíblia.





Introdução



Este artigo visa trabalhar o perfil do líder cristão e os estilos de lideranças. Dessa forma, apontar-se-ão os conflitos entre líderes e liderados; o perfil do líder cristão; bem como, far-se-á uma breve abordagem sobre os deveres do líder cristão, do papel da Bíblia, como também, dedicar-se-á a um breve relato sobre como é a vida cheia do Espírito Santo. A intenção central deste projeto é chamar a atenção da liderança para uma vida cheia de Deus, convocando seus líderes a respeitar seus liderados, tratando-os com cordialidade e respeito, mostrando-lhes o bom caminho para a liderança. No que tange aos liderados, mostrar-se-á a importância de se deixar liderar e, acima de tudo, de viver uma vida com Deus.









O Perfil de um Líder Cristão



Observa-se que, ser líder nos dias atuais está em voga. Mas afinal, qual o líder perfeito? Qual o modelo de liderança perfeita? Qual o perfil de líder cristão? Será que a resposta a todos esses questionamentos está na geração de “Coaching” profissionais estimuladores, persuasivos, ‘’apoiadores’’ na melhora do desempenho do indivíduo? Será esse o modelo de líder que Deus está procurando? Diante disso, a proposta deste estudo é desenvolver o perfil do líder cristão, a partir de uma perspectiva bíblica que aduz: Qual o líder que Deus procura para usar? Ser líder é um dom? Ou liderar é possível somente mediante um treinamento? No prosseguir do tema, ver-se-á, agora, o perfil do líder no Antigo e no Novo Testamento: “Liderança é uma doutrina bíblica, pois existe desde os alvores da criação”. Mas o que é o "líder" à luz da Bíblia? O hebraico bíblico, o IBAC (Instituto Bíblico-Teológico Aliança Cristã) em sua teologia sistemática liderança cristã vai trabalhar o termo da seguinte forma:



Rõ'sh/re'sh aparece aproximadamente 600 vezes. O mesmo significa "cabeça", "cume", "primeiro", "soma" e, é claro, "líder" nomeado, eleito ou autonomeado. A palavra é usada para se referir aos pais tribais, que são os líderes de um grupo de pessoas: "E escolheu Moisés homem capaz, de todo o Israel, e o pôs por cabeça sobre o povo" (Êx 18.25). Os líderes militares também são chamados de "cabeças": "Estes são os nomes dos valentes que Davi teve: Josebe-Bassebete, filho de Taquemoni, o principal dos capitães" (2 Sm23.8). Em Nm 1.16, os príncipes são chamados "cabeças" (Jz 10.18). Esta palavra é usada para aludir aos que representam ou conduzem as pessoas em adoração (2 Rs 25.18).



Nesse sentido, a expressão bíblica "cabeça", metaforicamente, denota superioridade de categoria e autoridade sobre outros, 0z 11.11; 2 Sm 22.44). Quando se trata de Jesus Cristo, porém, "cabeça" da igreja (Ef 5.23; Cl 2.19), de todo homem (1 Co 11.3), do universo inteiro (Ef 1.22), de todo poder cósmico (Cl 2.10), o sentido básico de cabeça como fonte de toda a vida e energia se torna predominante. Outro vocábulo popular, ainda no hebraico bíblico, é “sar”, que aparece mais de 410 vezes significa:  "oficial", "líder", comandante, capitão, príncipe, governante. Em alguns contextos representa "homens que claramente têm responsabilidade sobre outros" – governantes ou comandantes; pode ter sentido de "líder" de uma profissão, grupo ou distrito (Gn 21.22; 37.36; 40.2); e é usado para se referir a certos "homens notáveis" dentro de Israel: Abner (2 Sm 3.38; Nm 21.18), Joabe, Abisai e Itai (2 Sm 23.19); descreve ainda a tarefa de "governar", "líder","governante", "juiz" (Êx 2.14; 18.21), chefe do exército (1 Sm 17.55), "governante" de uma cidade (Jz Ne 3.14).Por fim, fica claro que o Antigo Testamento fala de liderança, o que pode ser constatado pela importância do perfil e do líder cristão. Há de se destacar também alguns modelos de líderes no Novo Testamento, apresentados pelo IBAC – Instituto Bíblico-Teológico Aliança Cristã.



Em sua teologia sistemática sobre liderança

Liderança é um ministério também frequente em o Novo Testamento. A importância do conceito e da prática da liderança cristã, na verdade, estão evidentes nas numerosas citações que aparecem nas referências neotestamentárias, desde os Evangelhos às cartas/ epístolas dos conceituados apóstolos de Jesus Cristo. A palavra "cabeça", kephale 15 no grego, metaforicamente, remete, entre outras coisas, à autoridade de Jesus em relação à Igreja (Ef 1.22; 4.15; 5.23; Cl .118; 2.19), aos principados e potestades (Cl 2.10), etc. Aparece também o substantivo hodegos que significa "líder" ou "guia no caminho", formado de hodos - "caminho" e hegeomai "conduzir", "liderar", "guiar" (At 1.16; Mt 15.14; 23.16,24; Rm 2.19); e os verbos hodegeõ - "liderar" ou "guiar pelo caminho" (Mt 15.14; Lc 6.39; Jo 16.13; At 8.31; Ap 7.17); kateuthunõ - "tornar reto", "guiar os pés no caminho da paz" (Lc 1.79);oikodespoteõ -"governem a casa" - isto é, refere-se à "administração e direção dos assuntos domésticos"; hegeomai - "conduzir" (Hb 13.17,24), etc.[2]





Vale salientar aqui, que existem no Novo Testamento muitas outras referências conceituais à liderança. Todavia, estes são alguns modelos de liderança cristã que traçam um perfil de liderança cristã atual, tal qual o perfil de Jesus Cristo, ou o de Paulo, ou o de Pedro. Enfim, pode-se escolher entre os Apóstolo o perfil que mais se identifica conosco. A partir daí, busca-se extrair todo o conhecimento sobre liderança cristã, já que o líder cristão deve ser chamado por Deus e a liderança deve sentir esse chamado para o trabalho do Senhor, assim como Deus falou com Moisés.



Êxodo 3,2. E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. 3. E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima. 4. E vendo o SENHOR que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui.

5. E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. 6. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.

7. E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores.

8. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu.[3]





Assim, no Antigo Testamento, como foi com Moisés, com Josué, com Elizeu, com Gideão e, com muitos outros. Já no Novo Testamento, João Batista no ventre é escolhido, depois os discípulos são chamados e preparados por Jesus. O perfil do líder cristão vai estar atrelado ao chamado de Deus em sua vida, chamado este, que prega pela salvação em primeiro lugar, ou seja, o primeiro requisito do líder é ser salvo em Cristo Jesus, pois para ser líder, ele deverá ser chamado a ser liderado. E é exatamente isso que se vê na constância dos dias: Líderes que não foram liderados, discípulos sem mestres, ovelhas sem pastor querendo ser líderes e ocupar uma posição de destaque. Todavia, a verdadeira liderança na obra de Deus não é destaque, é serviço, entrega e sacrifício. Em Romanos temos essa afirmação de entrega e sacrifício. Romanos 12:1-3:“Portanto, irmãos, rogo pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas se transformem pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Por isso, pela graça que me foi dada, digo a todos vocês: Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu”.



Isso implica dizer que, antes de ser líder é preciso aprender a ser liderado e aguardar o chamado divino em adoração. Antes de ser líder é preciso ser adorador, fiel ao Deus vivo, à família, ao ministério do qual faz parte, enfim, fiel ao seu pastor. Sendo assim, muitos dos conflitos entre líderes e liderados seriam resolvidos com Palestras sobre liderança, porque líderes que não sabem liderar, orgulhosos, soberbos, donos da verdade, sem humildade, arrogantes, presunçosos, maquiavélicos, e que fazem de tudo para estar por cima na mídia, nas vitrines, fazem com que a Igreja, instrumento do Senhor, sofra. Ainda hoje é possível observar que existem liderados rebeldes, involuntários, que não querem aprender, tampouco se submeter a ninguém. Isso, sem falar das tendências gospel que têm acabado com a saúde da igreja. O grande pregador, Charles Haddon Spurgeon, assevera que o primeiro sinal da vocação celeste é um desejo intenso e absorvente de realizar a obra. Para se constatar um verdadeiro chamamento para o ministério é preciso, em primeiro lugar, que haja uma irresistível, ardente e violenta sede de contar aos outros tudo o que Deus fez por nossas almas; em segundo lugar é preciso que haja aptidão para ensinar e certa medida das outras qualidades necessárias ao ofício de instrutor público e, por fim, é preciso que o aspirante realize certo número de conversões sob os seus esforços, ou, se esse aspirante concluir que cometeu um engano, poderá retornar pelo melhor caminho que puder encontrar. Percebe-se que essas palavras são duras, entretanto verdadeiras, até porque, no chamado ministerial, para ser líder, é preciso ter essas três qualidades evidentes em sua vida; caso isso não aconteça, ficará apenas sendo liderado, ajudando aqueles que já são líderes. Ademais, no prosseguir dos temas, dar-se-á por encerrado o tópico que trata do perfil do líder cristão.



Deveres de um Líder Cristão



Entre todos os deveres de um líder cristão, existem três que nunca podem ser abandonados ou substituídos, e que devem ser os primeiros a serem seguidos com fervor. Desde um líder de célula, discipulado, diácono, presbítero ou outra sigla qualquer, até o pastorado, quais sejam: Oração, Leitura da Bíblia e Orientação Espiritual. Sem estes três deveres, todos os outros fracassam. Alguns fatores têm contribuído para o abandono da oração, da leitura bíblica e até para orientação espiritual, dentre eles, destacam-se: o tempo – hoje, com cargas – horárias maiores, salários menores, as pessoas tendem a trabalhar em dois ou três empregos para pagarem as contas, ficando assim, afastadas de suas Igrejas, frequentando somente os cultos de Domingo. O problema é que muitas dessas pessoas exercem cargos enquanto líderes voluntários de suas Igrejas e não conseguem ter uma vida diária de oração, ler a bíblia, tampouco buscar uma orientação pastoral. É perceptível que essas pessoas estão sedentas de Deus; é como se estivessem em um deserto com sede, sabem onde tem água, mas não podem ir buscá-la, já que estão presas pelas correntes infernais das tarefas. Quando se lembra de oração, logo vem à memória o texto bíblico em que Paulo fala sobre a oração aos irmãos em Roma.  E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações e sabe qual é a intenção do Espírito Santo; é ele que, segundo Deus, intercede pelos santos. Romanos 8.26,27[4]. Muitas das vezes não sabemos orar e só sai um amontoado de palavras por causa do cansaço físico etc. Neste momento, o Espírito Santo entra em ação, intercedendo por nós. Ele sabe do que necessitamos, mas o que Deus espera de um líder é quebrantamento de coração. É isso que vai dizer exatamente Salmos 51: “Deus não rejeita a oração de um servo ou deum líder apenas espera ouvi-lo”. Quando nós fazemos nossa parte, Deus faz a dele. A leitura bíblica precisa fazer parte do devocional de um líder cristão, pois Jesus afirmou em João 5,39: “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito”[5]. Dessa forma, pergunta-se: Onde se deve buscar orientação para o ministério? Para fins de enriquecimento do presente artigo, trazem-se as palavras retiradas da revista Aconselhamento Pastoral:



RICHARD D. DOBBINS escreve a seguinte frase: “Num ambiente espiritualmente enriquecido, o poder de Deus desfaz a escravidão dos aconselhados, cura suas mágoas e providencia a orientação que precisam para resolver outras dificuldades na vida.[6]



É deste tipo de local e de pessoas assim capacitadas que líderes precisam, e a Igreja precisa de líderes que sigam modelos de aconselhamento e orientação. Para tanto, traz-se o que aconteceu com Sansão e que se constata na Bíblia Sagrada: Sansão por andar sozinho, não aceitar conselhos de ninguém, nem dos pais, nem dos anciãos, não tinha amigos. Nesse sentido percebe-se que, além de orar, ler a Bíblia, todo líder, todo pastor, precisa de amigos, conselheiros, alguém que em tempos de crise possa lhe dar atenção, uma palavra de conforto, uma exortação. Amigos são aqueles que nos falam a verdade, mesmo que está doa. A seguir, falar-se-á ainda, de temas que tratam dos deveres de um líder cristão.



O que a Bíblia fala sobre Liderança Cristã



Desde a criação do homem, verifica-se a função de liderança sendo delegada por Deus. Então, disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, con­for­me a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais ­que se movem rente ao chão” Gênesis[7]. Depois do Antigo Testamento, encontram-se grandes líderes: bons e ruins; que agradam e desagradam a Deus, dentre eles, têm-se: Noé: líder de sua família: Abraão: líder de seu clã; Moisés, Sansão, Saul, Davi, Salomão entre outros. Já, no Novo Testamento havia um modelo de liderança corrompida, mas isso também já existia no Antigo Testamento, porém precisou de uma restauração. Cristo é o propulsor desta restauração, o modelo de Rei e de liderança a ser seguido, pois treina seus discípulos, modela cada um deles, ensina a pregar Marcos 16,17, a realizar milagres, a provocar uma mudança que gerou o Cristianismo perseguido e que nos dias de hoje ainda é perseguido. A despeito disso, pode-se inferir que, já na sua época, apresentava partidarismo como em Coríntios: divisão, falta de submissão, falta de respeito, como na 3ªEpístola de João que traz Diótrefes enfrentando o Apóstolo João e desafiando sua autoridade. Nos dias de hoje, ainda é assim, pois tem-se muito partidarismo em nosso meio e não são poucos os Diótrefes. No entanto, somos sabedores de muitos como Gaio, com espírito de um verdadeiro líder seguindo o exemplo de Jesus, com um espírito voluntário e muito amor para receber os irmãos e ser um líder amigo, que preza pelo bem maior. Os modelos de liderança que são seguidos dizem respeito a modelos como o de Jesus dos Apóstolos, como em Atos 2,42 cuidando da doutrina, com muita comunhão, oração, e o partir do pão. O grande desafio deste tempo é formar líderes aos pés de Cristo Jesus. Em se tratando desse tema, importante citar aqui o artigo de Romério de Mello Santana, intitulado: Seguindo os passos do Mestre Jesus[8]. Pois somente líderes que aprenderam aos pés de Jesus têm a capacidade de seguir seus passos e compreender sua ação. Ele agiu, o princípio nasceu; e no princípio agiu, para que o princípio de tudo fosse ação. Por agir, tudo o que existe, existiu. Ele é ação; e nós, sua reação na criação. Fez-se caminho para que tudo o que criasse passasse por Ele, levando dele marcas, deixando marcas nele. Fez-se caminho para que começássemos Nele e Nele terminássemos. E sua ação se fez carne de nossa carne, e morou entre nós. Assim, entendemos que Ele é o caminho, mas também é companhia na caminhada. Se Ele é um perfume; nós, uma essência; exalemos! Se Ele é o caminho; nós, caminhantes; caminhemos! Sendo assim, refletindo sobre as palavras acima, só nos resta acreditar que é maravilhoso estar aos pés de Jesus, viver com ele, caminhar com ele, sentir seu perfume. Aleluia termos nossa iniciação como salvo nele como líder terminar como Paulo e, no final da carreira, poder falar como ele falou a Timóteo 4,7: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé, começar com ele e terminar com ele”. Esse é o grande desafio para minha geração que é liderada e que lidera: perseverar até o fim. Este é o desafio das cartas escritas, as igrejas da Ásia menor. Apocalipse 2 e 3 no final de cada carta há uma promessa ao que vencer darei que se assente comigo ao que vencer lhe darei uma pedrinha branca, enfim, a recompensa é só para os que permanecerem firmes. O verdadeiro líder é aquele que consegue ensinar e preparar outros líderes. Jesus é esse mestre que chama, escolhe, prepara e envia os seus liderados já formados, com a missão de fazer o mesmo.



Os Desafios de um Líder Cristão em um Mundo Pós-Moderno



Iniciando este tópico, destaca-se aqui um dos grandes desafios da modernidade: vencer a falta de tempo em uma época que as pessoas estão extremamente atarefadas. E, com isso, muitos estão se afastando do reino de Deus e do que vem a ser liderança. Assim sendo, tratar-se-á sobre a devoção na pós-modernidade.



Antônio Tadeu Ayres, em seu livro “Como Entender a Pós-Modernidade”, lembra que o momento no qual a Igreja de Cristo está inserida é marcado pelo rompimento das fronteiras sociais, desmantelamento do sistema, quebra de tabus, nova moralidade, novos critérios éticos e a destruição dos sistemas de valores presentes nas gerações passadas[9]. A devoção que faz parte do vocabulário dos atletas e significa treinar para alcançar a excelência. O exercício disciplinado é que os prepara para terem o melhor desempenho em uma competição. Essas são as palavras do autor Eugene Peterson.[10]



Para definir os desafios que serão enfrentados em mundo pós-moderno, é preciso se pautar em três quesitos, quais sejam: ser devoto, ter a leitura da Bíblia sempre em dia e ser disciplinado. Entender o que Cristo espera de nós como líderes é também um grande desafio para essa geração. Exemplo disso buscam-se as palavras de Paulo em Coríntios quando se refere ao modelo de liderança. “Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês não cheguei com um discurso eloquente, nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus, pois decidi nada saber entre vocês, a não ser sobre Jesus Cristo, e este, foi crucificado”. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês.



Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus. 1 Coríntios 2:1-5 [11].



1.Confessar Jesus como Salvador e Senhor. (I João 5:1-3) 2. Cultivar na vida pessoal um relacionamento crescente com o Pai, por meio das disciplinas espirituais. (Mt 6:33, Cl 1:9-11) 3. Viver um estilo de vida que reflete o caráter de Cristo e que não enfrenta atualmente problemas morais (I Tm 3:1-13, 4:12) 4. Concordar com a estrutura de liderança de pequenos grupos e seguir a orientação de um líder. (Hb 13:7) 5. Ser membro ativo da Igreja de Cristo e concordar com a missão de Cristo e a declaração de fé bíblica do Cristianismo verdadeiro.  (I Co 4:2) 6. Participar do Treinamento Básico de Líderes de Pequenos Grupos. (II Tm 2:2) “Liderança bíblica flui de uma vida devocional rica, a qual você transmite a outros aquilo que lhe tem sido transmitido, sendo este o motivo pelo qual a liderança bíblica requer um alto padrão de caráter e competência, tendo as pessoas capacidade para discernir as evidências de ambos. Seja um líder de caráter enquanto você se torna um líder competente. A competência virá à medida que você desenvolve suas habilidades; caráter diz respeito ao seu coração. No fim, Deus recompensará aqueles que se saíram bem por causa do alto padrão de seu caráter, não simplesmente pelo tamanho de seus grupos.



Os Conflitos Existentes entre Líderes e Liderados



Para enriquecimento deste artigo, trago o que aconteceu comigo nas palestras que ministrei para líderes. Nelas, pude observar que os conflitos existem dentro de sistemas criados pelo homem, nos departamentos, nos núcleos, nas células, nos Seminários, além de perceber que o grande problema não estava somente nos liderados, e sim, nos líderes. Essa é a realidade em muitas igrejas brasileiras, um sistema falido, de líderes mal preparados e que se acham os donos da verdade e também donos da igreja. Esses líderes querem ser treinadores de líderes, pois não tratam a igreja de Cristo como reino. Vale salientar, que sobre essa realidade não se pode falar nos púlpitos, em programas de rádio, reuniões. Mas aqui, espero ter liberdade para expressar o que penso.

A partir daí mudei minha metodologia e hoje só ministro palestras que tratam de liderança cristã, de formação de obreiros e de líderes discipulados; pois se preciso for, corrigirei os próprios líderes. Quero essa liberdade, caso contrário, sinto-me uma balança que só tem peso de um lado. Há uma visão no meio das igrejas brasileiras que precisa ser tirada urgentemente, que é a visão do crescimento e para tal crescimento trabalham, competem, disputam cargos, lugares de destaque e até quem mais cresce ganha um bônus. Cristo rejeita esse modelo de líderes. Imprescindível dizer que meus esforços de hoje estão em formar líderes segundo o coração de Deus que o amam e que estejam dispostos a morrer por Ele. Isso é Evangelho; isso é poder de Deus.



Um Chamado para Liderar

Um chamado para liderar é o tema mais polêmico na atualidade. A pergunta é difícil de ser respondida sem o uso das Escrituras, pois nela encontramos um referencial para definir o que é um chamado para liderar. João 15,16: Jesus vai declarar o chamado Dele para os discípulos, dizendo que “ a escolha não é dos discípulos. Ele os escolheu, isso remete que a escolha para liderar não é nossa, embora tenhamos treinamento de líder que é importante a atualização dos líderes, mas o chamado vem de Deus, “Não fostes vós que me escolhestes, eu que vos escolhi e vos designei para que vades e dê frutos”. A escolha vem de Deus, um chamado para liderar não é coisa de homens, vem de Deus. Jesus escolheu seus líderes pessoalmente. Deus escolhe seus líderes para a igreja. Depois da escolha, eles têm tarefas a serem cumpridas. Jesus disse: ”Designei a vós para que vades e dês frutos, com isso Jesus determinou uma tarefa. O desafio de um líder apresentado aqui é o de cumprir a tarefa que lhe foi designada, e que essa tarefa gere impacto, e que esse impacto permaneça. Essa determinação abre a porta para ser ouvido nas orações. O chamado por Deus é muito importante na vida do líder cristão. A primeira pergunta é: O que o líder deve fazer, e se ele for chamado? A voz de Jesus brada e chama os discípulos um a um. Hoje, o Senhor fala por meio de sua palavra, também gera no espírito humano, pelo seu espírito, a certeza de um chamado. Essas são duas das respostas básicas que independem da experiência particular do cristão.



Uma Vida Cheia do Espírito



Existem muitas definições de uma vida cheia do espírito, mas, deseja-se trabalhar aqui, apenas três definições sobre o que é uma vida cheia do Espírito. "Cheio do Espírito" foi o segundo traço de caráter que os Apóstolos solicitaram dos líderes que cuidavam da distribuição diária, Irmãos.





Escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa (At 6.3). Há alguma controvérsia com relação ao significado dessa frase, mas é razoavelmente claro que a "plenitude do Espírito Santo” significa três coisas: Primeiro, significa que o líder se tornou corajoso e valente. A realidade do Espírito na vida de um homem como Pedro pode ser vista em seu sermão no dia de Pentecostes (At 2), e em sua resposta corajosa aos líderes anciãos dos judeus, que tinham o poder de colocá-lo na prisão e matá-lo. (At 4.8). O encontro de oração, após as ameaças dos líderes do Sinédrio, resultou em um novo encher do Espírito. A consequência foi que eles "com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus" (At 4.31). Estevão foi um dos sete que convenceu a igreja de Jerusalém de que ele estava "cheio do Espírito". É surpreendente a tremenda coragem com a qual expressou sua interpretação do Antigo Testamento com relação a Jesus, como o Messias. Ele era sabedor de qual seria a reação da sinagoga, mais ainda assim, permaneceu calmo e despreocupado, enquanto a manifestação determinara apedrejá-lo (At 7.54-60)[12].



O autor está demostrando modelos de uma liderança cheia do Espirito Santo, é importante salientar que percebesse a busca da igreja nos dias atuais por uma liderança semelhante aos modelos citados, percebesse a importância de se ter lideres corajosos, cheios do Espirito para liderar e lidar com questões complicadas e atuais, não basta ser corajoso é preciso sacrifício e tal sacrifício acontecerá se o líder estiver cheio do Espirito como Pedro Estevão que mesmo diante de ameaças mantiveram sua postura como lideres fiéis ao Senhor, Levantando a cabeça e erguendo a voz e anunciando a Cristo como Salvador. Na mesma linha de pensamento continua o autor afirmar que:



Liderança e um "espírito de medo “não se casam. Timidez em um líder não é um sinal saudável, nem promete sucesso (Cf. 2Tm 1.7). Segundo, o enchimento do Espírito é encontrado no zelo e poder evangelístico que Filipe demonstrou em Samaria. Foi tão impressionante a unção pela qual Filipe proclamara Cristo (At 8.6), que multidões deram atenção ao que disse. Além do mais, os demônios gritavam quando foram expulsos das pessoas possuídas. Ele realizou milagres poderosos de curas de doenças físicas (v.7). Atualmente, não exigimos de líderes de organizações cristãs que realizem milagres, mas zelo por Deus e seu Reino são evidências claras da presença do Espírito[13].



Palavras como, zelo e poder evangelístico dão mais ênfase ao texto do autor: quando o mesmo destaca a importância de um líder que tem uma vida cheia do espirito, destaca ainda que tal vida gera um líder evangelístico, que até pode realizar milagres em sua vida e na vida de outras pessoas, mas o diferencial é o zelo pela palavra de Deus. Sobre o poder do espirito para pregação das boas novas continua o autor a destacar que:



O significado do controle desimpedido do Espírito na vida de uma pessoa pode ser observado na vida de White Field. “George White Field foi imensamente usado por Deus, porquanto ele e John Wesley viraram de cabeça para baixo a Inglaterra para Cristo, e salvaram, pela graça de Deus, as ilhas britânicas de uma réplica da Revolução Francesa”. Foi falado a respeito de White Field, 'Do momento que ele começou, como um jovem, a pregar até a hora da sua morte, ele não conheceu nenhum abatimento da paixão. Até o fim da sua incrível carreira, sua alma foi uma chama de zelo ardente pela salvação dos homens'''. Terceiro, a plenitude do Espírito significa que o líder não está sozinho. Ele tem um "assistente divino". Sem o Espírito, será que Filipe saberia que precisava deixar o ministério frutífero em Samaria e viajar a Gaza para unir-se ao carro do eunuco, mordomo-mor de Candice, rainha dos etíopes (At 8.26-31)? Ou será que Paulo teria exercido a coragem e o entendimento de desafiar Elimas, o mágico, e puni-lo com cegueira, para que o pró-cônsul de Chipre viesse a crer no Senhor (At 13.7-1O)? Permanece de importância máxima que o líder saiba a mente do Senhor antes de tomar decisões que venham afetar a sua vida e a vida de outras pessoas. Todos os filhos de Deus devem ser guiados pelo Espírito (Rm 8.14) ou "andar no Espírito" (GI 5.16,25).[14]



O que fica claro aqui ainda é a importância de se ter um líder que seja cheio do Espírito e que, com isso, possa se atingir a plenitude mencionada pelo autor, pois desta maneira fará tudo para a glória de Deus e, consequentemente, será um líder que se deixará liderar. Verificasse que é impossível liderar sem ser liderado.



Conclusões e Considerações Finais

O presente artigo demonstrou que falar de liderança cristã na atualidade é um dos grandes desafios, e a proposta aqui apresentada foi contribuir para o diálogo entre líderes e liderados. Pôde-se observar que, quando se trabalha o perfil de um líder, tem-se aí o porquê dos grandes conflitos. Sendo assim, percebeu-se que para ser um bom líder, é preciso estar ciente de seus deveres enquanto líder, uma vez que os conflitos acontecem hoje pelo não cumprimento do papel de cada líder. Nesse sentido, a Bíblia nos dá um respaldo para definir o que é liderança e os desafios que ela enfrenta na modernidade, destacando-se que, uma vida cheia do espírito ajuda o líder a vencer os desafios de liderar em um mundo pós-moderno. Outro ponto fundamental foi o relato bíblico trazido sobre o posicionamento das Escrituras Sagradas referente à liderança cristã, o qual deixou bem claro que é impossível liderar, sem ser liderado. Por derradeiro, diante do cumprimento da proposta que foi apresentada, sugere-se que cada leitor deste artigo deva, cada vez, mais e mais sentir o gosto pela escrita, principalmente, sobre liderança cristã, que é um assunto inesgotável e deveras fascinante.



Referências Bibliográficas



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SHEED, Russell P. O líder que Deus usa: resgatando a liderança bíblica para a Igreja no novo milênio. Tradução Edmilson E Bizerra. - São Paulo: Vida Nova. 2000, p 128.



TADEU, Antônio Ayres. Como Entender a Pós-Modernidade. Editora Independente, São Paulo. 1998, p. 6.

PETERSON, Eugene. Um pastor segundo o coração de Deus. Editora:Textus, Niterói-RJ. 2000.







[1]  Jeverson Nascimento é Bacharel em Teologia pela UNICESUMAR, mestrando em Aconselhamento Pastoral pela FTBP, escritor, seminarista e diretor do CETESC - Centro de Teologia de Santa Catarina -, professor de Homilética, Angelologia e Ensino Religioso pela ETEADSJO -  Escola Teológica da Assembleia de Deus de São José - SC, Pastor, membro da CIADESCP (Convenção das Assembleias de Deus do Estado de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná) e membro da CGADB, Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. prjeverson@gmail.com
[2] INSTITUTO BÍBLICO-TEOLÓGICO ALIANÇA CRISTÃ. Noções de liderança cristã, p13. Campo Grande - Mato Grosso do Sul: 2009.
[3]Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel. Disponível em:http://biblia.gospelprime.com.br/acf/exodo/3/. Acessado em: 12/08/2015.
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[4]Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel.
[5]Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel.
[6]MATTA, Márcio. Revista Recursos Espirituais. 4. ed.
[7]Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel.

[8][8] SANTANA, Romério de Mello. Seguindo os Passos de Jesus. EditoraPaulus.São Paulo- SP.2013, p.8.

[9] TADEU, Antônio Ayres. Como Entender a Pós-Modernidade.Editora Independente, São Paulo. 1998, p. 6.
 [10] PETERSON, Eugene. Um pastor segundo o coração de Deus. Editora:Textus, Niterói-RJ. 2000.
 [11] Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel.

[12] SHEED, Russell P. O líder que Deus usa: resgatando a liderança bíblica para a Igreja no novo milênio. Tradução Edmilson E Bizerra. - São Paulo: Vida Nova. 2000, p 128.
[13] SHEED, Russell P.128
[14] SHEED, Russell P.128

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