Liderança cristã na atualidade
FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DO PARANÁ
Programa de Mestrado Profissional em Aconselhamento Pastoral
Por: Jeverson Nascimento[1]
Professor: Prof. Dr: Luiz Soares Silvado
Artigo apresentado como requisito parcial para a disciplina
Teologia Contemporânea do Programa de Mestrado da Faculdade Teológica Batista
do Paraná.
Curitiba
2015
Resumo
O
presente artigo traz como escopo a liderança cristã na atualidade e os grandes
desafios entre líderes e liderados. Para tanto, esses escritos anseiam
contribuir para o diálogo acadêmico sobre líderes e liderados. Trabalhando o
perfil de um líder cristão é possível verificar o porquê dos grandes conflitos
na vida diária de cada líder. Os deveres de um líder cristão estão presentes,
deixando claro que para ser um bom líder é preciso estar ciente dos seus
deveres como líder, pois os conflitos de hoje são atribuídos à falta do
cumprimento do papel de cada líder. A Bíblia nos dá um respaldo para definir o
que é liderança e os desafios que ela enfrenta na modernidade. Destacando que
uma vida cheia do espírito ajuda o líder a vencer os desafios de liderar em um
mundo pós-moderno. Apresenta-se, também, um breve relato bíblico sobre a
posição das escrituras referente à liderança cristã e faz-se o fechamento,
afirmando que, é impossível liderar sem ser liderado.
Palavras-chave: Liderança. Cristã. Conflitos. Líderes.
Liderados. Bíblia.
Introdução
Este artigo visa trabalhar o
perfil do líder cristão e os estilos de lideranças. Dessa forma, apontar-se-ão
os conflitos entre líderes e liderados; o perfil do líder cristão; bem como,
far-se-á uma breve abordagem sobre os deveres do líder cristão, do papel da
Bíblia, como também, dedicar-se-á a um breve relato sobre como é a vida cheia
do Espírito Santo. A intenção central deste projeto é chamar a atenção da
liderança para uma vida cheia de Deus, convocando seus líderes a respeitar seus
liderados, tratando-os com cordialidade e respeito, mostrando-lhes o bom caminho
para a liderança. No que tange aos liderados, mostrar-se-á a importância de se
deixar liderar e, acima de tudo, de viver uma vida com Deus.
O Perfil
de um Líder Cristão
Observa-se
que, ser líder nos dias atuais está em voga. Mas afinal, qual o líder perfeito?
Qual o modelo de liderança perfeita? Qual o perfil de líder cristão? Será que a
resposta a todos esses questionamentos está na geração de “Coaching” profissionais
estimuladores, persuasivos, ‘’apoiadores’’ na melhora do desempenho do indivíduo?
Será esse o modelo de líder que Deus está procurando? Diante disso, a proposta
deste estudo é desenvolver o perfil do líder cristão, a partir de uma
perspectiva bíblica que aduz: Qual o líder que Deus procura para usar? Ser
líder é um dom? Ou liderar é possível somente mediante um treinamento? No
prosseguir do tema, ver-se-á, agora, o perfil do líder no Antigo e no Novo Testamento:
“Liderança é uma doutrina bíblica, pois existe desde os alvores da criação”.
Mas o que é o "líder" à luz da Bíblia? O hebraico bíblico, o IBAC
(Instituto Bíblico-Teológico Aliança Cristã) em sua teologia sistemática
liderança cristã vai trabalhar o termo da seguinte forma:
Rõ'sh/re'sh aparece aproximadamente 600
vezes. O mesmo significa "cabeça", "cume",
"primeiro", "soma" e, é claro, "líder" nomeado,
eleito ou autonomeado. A palavra é usada para se referir aos pais tribais, que
são os líderes de um grupo de pessoas: "E escolheu Moisés homem capaz, de
todo o Israel, e o pôs por cabeça sobre o povo" (Êx 18.25). Os líderes
militares também são chamados de "cabeças": "Estes são os nomes
dos valentes que Davi teve: Josebe-Bassebete, filho de Taquemoni, o principal
dos capitães" (2 Sm23.8). Em Nm 1.16, os príncipes são chamados
"cabeças" (Jz 10.18). Esta palavra é usada para aludir aos que
representam ou conduzem as pessoas em adoração (2 Rs 25.18).
Nesse sentido, a expressão
bíblica "cabeça", metaforicamente, denota superioridade de categoria
e autoridade sobre outros, 0z 11.11; 2 Sm 22.44). Quando se trata de Jesus
Cristo, porém, "cabeça" da igreja (Ef 5.23; Cl 2.19), de todo homem
(1 Co 11.3), do universo inteiro (Ef 1.22), de todo poder cósmico (Cl 2.10), o
sentido básico de cabeça como fonte de toda a vida e energia se torna predominante.
Outro vocábulo popular, ainda no hebraico bíblico, é “sar”, que
aparece mais de 410 vezes significa: "oficial", "líder", comandante,
capitão, príncipe, governante. Em alguns contextos representa "homens que
claramente têm responsabilidade sobre outros" – governantes ou
comandantes; pode ter sentido de "líder" de uma profissão, grupo ou
distrito (Gn 21.22; 37.36; 40.2); e é usado para se referir a certos
"homens notáveis" dentro de Israel: Abner (2 Sm 3.38; Nm 21.18),
Joabe, Abisai e Itai (2 Sm 23.19); descreve ainda a tarefa de
"governar", "líder","governante",
"juiz" (Êx 2.14; 18.21), chefe do exército (1 Sm 17.55),
"governante" de uma cidade (Jz Ne 3.14).Por fim, fica claro que o Antigo
Testamento fala de liderança, o que pode ser constatado pela importância do
perfil e do líder cristão. Há de se destacar também alguns modelos de líderes
no Novo Testamento, apresentados pelo IBAC – Instituto Bíblico-Teológico
Aliança Cristã.
Em sua teologia sistemática sobre
liderança
Liderança é um ministério também frequente
em o Novo Testamento. A importância do conceito e da prática da liderança cristã,
na verdade, estão evidentes nas numerosas citações que aparecem nas referências
neotestamentárias, desde os Evangelhos às cartas/ epístolas dos conceituados
apóstolos de Jesus Cristo. A palavra "cabeça", kephale 15 no grego,
metaforicamente, remete, entre outras coisas, à autoridade de Jesus em relação
à Igreja (Ef 1.22; 4.15; 5.23; Cl .118; 2.19), aos principados e potestades (Cl
2.10), etc. Aparece também o substantivo hodegos que significa
"líder" ou "guia no caminho", formado de hodos -
"caminho" e hegeomai "conduzir", "liderar",
"guiar" (At 1.16; Mt 15.14; 23.16,24; Rm 2.19); e os verbos hodegeõ -
"liderar" ou "guiar pelo caminho" (Mt 15.14; Lc 6.39; Jo
16.13; At 8.31; Ap 7.17); kateuthunõ - "tornar reto", "guiar os
pés no caminho da paz" (Lc 1.79);oikodespoteõ -"governem a casa"
- isto é, refere-se à "administração e direção dos assuntos
domésticos"; hegeomai - "conduzir" (Hb 13.17,24), etc.[2]
Vale salientar aqui, que
existem no Novo Testamento muitas outras referências conceituais à liderança. Todavia,
estes são alguns modelos de liderança cristã que traçam um perfil de liderança
cristã atual, tal qual o perfil de Jesus Cristo, ou o de Paulo, ou o de Pedro.
Enfim, pode-se escolher entre os Apóstolo o perfil que mais se identifica
conosco. A partir daí, busca-se extrair todo o conhecimento sobre liderança
cristã, já que o líder cristão deve ser chamado por Deus e a liderança deve
sentir esse chamado para o trabalho do Senhor, assim como Deus falou com Moisés.
Êxodo 3,2. E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em
uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo,
e a sarça não se consumia. 3. E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei
esta grande visão, porque a sarça não se queima. 4. E vendo o SENHOR que se
virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés.
Respondeu ele: Eis-me aqui.
5. E disse: Não te chegues para cá; tira os
sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. 6. Disse
mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de
Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.
7. E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a
aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa
dos seus exatores, porque conheci as suas dores.
8. Portanto desci para livrá-lo da mão dos
egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma
terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do
perizeu, e do heveu, e do jebuseu.[3]
Assim, no Antigo Testamento, como foi com Moisés, com
Josué, com Elizeu, com Gideão e, com muitos outros. Já no Novo Testamento, João
Batista no ventre é escolhido, depois os discípulos são chamados e preparados
por Jesus. O perfil do líder cristão vai estar atrelado ao chamado de Deus em
sua vida, chamado este, que prega pela salvação em primeiro lugar, ou seja, o
primeiro requisito do líder é ser salvo em Cristo Jesus, pois para ser líder,
ele deverá ser chamado a ser liderado. E é exatamente isso que se vê na
constância dos dias: Líderes que não foram liderados, discípulos sem mestres,
ovelhas sem pastor querendo ser líderes e ocupar uma posição de destaque.
Todavia, a verdadeira liderança na obra de Deus não é destaque, é serviço, entrega
e sacrifício. Em Romanos temos essa afirmação de entrega e sacrifício. Romanos
12:1-3:“Portanto, irmãos, rogo pelas misericórdias de
Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o
culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas se
transformem pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar
e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Por isso, pela graça
que me foi dada, digo a todos vocês: Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais
elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de
acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu”.
Isso implica dizer que, antes
de ser líder é preciso aprender a ser liderado e aguardar o chamado divino em
adoração. Antes de ser líder é preciso ser adorador, fiel ao Deus vivo, à
família, ao ministério do qual faz parte, enfim, fiel ao seu pastor. Sendo
assim, muitos dos conflitos entre líderes e liderados seriam resolvidos com
Palestras sobre liderança, porque líderes que não sabem liderar, orgulhosos,
soberbos, donos da verdade, sem humildade, arrogantes, presunçosos,
maquiavélicos, e que fazem de tudo para estar por cima na mídia, nas vitrines,
fazem com que a Igreja, instrumento do Senhor, sofra. Ainda hoje é possível
observar que existem liderados rebeldes, involuntários, que não querem aprender,
tampouco se submeter a ninguém. Isso, sem falar das tendências gospel que têm
acabado com a saúde da igreja. O grande pregador, Charles Haddon Spurgeon, assevera que o primeiro sinal
da vocação celeste é um desejo intenso
e absorvente de realizar a obra. Para se constatar um verdadeiro
chamamento para o ministério é preciso, em primeiro lugar, que haja uma
irresistível, ardente e violenta sede de contar aos outros tudo o que Deus fez
por nossas almas; em segundo lugar é preciso que haja aptidão para ensinar e certa medida das outras qualidades necessárias
ao ofício de instrutor público e, por fim, é preciso que o aspirante realize certo
número de conversões sob os seus esforços, ou, se esse aspirante concluir
que cometeu um engano, poderá retornar pelo melhor caminho que puder encontrar.
Percebe-se que essas palavras são duras, entretanto verdadeiras, até porque, no
chamado ministerial, para ser líder, é preciso ter essas três qualidades
evidentes em sua vida; caso isso não aconteça, ficará apenas sendo liderado,
ajudando aqueles que já são líderes. Ademais, no prosseguir dos temas, dar-se-á
por encerrado o tópico que trata do perfil do líder cristão.
Deveres de um Líder Cristão
Entre
todos os deveres de um líder cristão, existem três que nunca podem ser
abandonados ou substituídos, e que devem ser os primeiros a serem seguidos com
fervor. Desde um líder de célula, discipulado, diácono, presbítero ou outra
sigla qualquer, até o pastorado, quais sejam: Oração, Leitura da
Bíblia e Orientação Espiritual. Sem estes três deveres, todos os outros
fracassam. Alguns fatores têm contribuído para o abandono da oração, da leitura
bíblica e até para orientação espiritual, dentre eles, destacam-se: o tempo –
hoje, com cargas – horárias maiores, salários menores, as pessoas tendem a
trabalhar em dois ou três empregos para pagarem as contas, ficando assim,
afastadas de suas Igrejas, frequentando somente os cultos de Domingo. O
problema é que muitas dessas pessoas exercem cargos enquanto líderes
voluntários de suas Igrejas e não conseguem ter uma vida diária de oração, ler
a bíblia, tampouco buscar uma orientação pastoral. É perceptível que essas
pessoas estão sedentas de Deus; é como se estivessem em um deserto com sede,
sabem onde tem água, mas não podem ir buscá-la, já que estão presas pelas
correntes infernais das tarefas. Quando se lembra de oração, logo vem à memória
o texto bíblico em que Paulo fala sobre a oração aos irmãos em Roma. E da
mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o
que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com
gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações e sabe qual é a
intenção do Espírito Santo; é ele que, segundo Deus, intercede pelos santos. Romanos
8.26,27[4]. Muitas das vezes
não sabemos orar e só sai um amontoado de palavras por causa do cansaço físico
etc. Neste momento, o Espírito Santo entra em ação, intercedendo por nós. Ele
sabe do que necessitamos, mas o que Deus espera de um líder é quebrantamento de
coração. É isso que vai dizer exatamente Salmos 51: “Deus não rejeita a oração
de um servo ou deum líder apenas espera ouvi-lo”. Quando nós fazemos nossa
parte, Deus faz a dele. A leitura bíblica precisa fazer parte do devocional de
um líder cristão, pois Jesus afirmou em João 5,39: “Vocês estudam
cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna.
E são as Escrituras que testemunham a meu respeito”[5].
Dessa forma, pergunta-se: Onde se deve buscar orientação para o ministério? Para
fins de enriquecimento do presente artigo, trazem-se as palavras retiradas da
revista Aconselhamento Pastoral:
RICHARD D. DOBBINS escreve
a seguinte frase: “Num ambiente espiritualmente enriquecido, o poder de Deus
desfaz a escravidão dos aconselhados, cura suas mágoas e providencia a orientação
que precisam para resolver outras dificuldades na vida.[6]
É deste tipo de local e de pessoas assim capacitadas que líderes
precisam, e a Igreja precisa de líderes que sigam modelos de aconselhamento e orientação.
Para tanto, traz-se o que aconteceu com Sansão e que se constata na Bíblia Sagrada:
Sansão por andar sozinho, não aceitar conselhos de ninguém, nem dos pais, nem
dos anciãos, não tinha amigos. Nesse sentido percebe-se que, além de orar, ler
a Bíblia, todo líder, todo pastor, precisa de amigos, conselheiros, alguém que
em tempos de crise possa lhe dar atenção, uma palavra de conforto, uma exortação.
Amigos são aqueles que nos falam a verdade, mesmo que está doa. A seguir, falar-se-á
ainda, de temas que tratam dos deveres de um líder cristão.
O que a Bíblia fala sobre
Liderança Cristã
Desde a criação do homem, verifica-se
a função de liderança sendo delegada por Deus. Então, disse Deus: "Façamos
o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele
sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda
a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão” Gênesis[7]. Depois
do Antigo Testamento, encontram-se grandes líderes: bons e ruins; que agradam e
desagradam a Deus, dentre eles, têm-se: Noé: líder de sua família: Abraão:
líder de seu clã; Moisés, Sansão, Saul, Davi, Salomão entre outros. Já, no Novo
Testamento havia um modelo de liderança corrompida, mas isso também já existia
no Antigo Testamento, porém precisou de uma restauração. Cristo é o propulsor
desta restauração, o modelo de Rei e de liderança a ser seguido, pois treina seus
discípulos, modela cada um deles, ensina a pregar Marcos 16,17, a realizar
milagres, a provocar uma mudança que gerou o Cristianismo perseguido e que nos
dias de hoje ainda é perseguido. A despeito disso, pode-se inferir que, já na
sua época, apresentava partidarismo como em Coríntios: divisão, falta de
submissão, falta de respeito, como na 3ªEpístola de João que traz Diótrefes enfrentando o Apóstolo
João e desafiando sua autoridade. Nos dias de hoje, ainda é assim, pois tem-se
muito partidarismo em nosso meio e não são poucos os Diótrefes. No entanto, somos
sabedores de muitos como Gaio, com espírito de um verdadeiro líder seguindo o
exemplo de Jesus, com um espírito voluntário e muito amor para receber os
irmãos e ser um líder amigo, que preza pelo bem maior. Os modelos de liderança
que são seguidos dizem respeito a modelos como o de Jesus dos Apóstolos, como
em Atos 2,42 cuidando da doutrina, com muita comunhão, oração, e o partir do pão.
O grande desafio deste tempo é formar líderes aos pés de Cristo Jesus. Em
se tratando desse tema, importante citar aqui o artigo de Romério de Mello
Santana, intitulado: Seguindo os passos do Mestre Jesus[8]. Pois
somente líderes que aprenderam aos pés de Jesus têm a capacidade de seguir seus
passos e compreender sua ação. Ele agiu, o princípio nasceu; e no princípio
agiu, para que o princípio de tudo fosse ação. Por agir, tudo o que existe,
existiu. Ele é ação; e nós, sua reação na criação. Fez-se caminho para que tudo
o que criasse passasse por Ele, levando dele marcas, deixando marcas nele.
Fez-se caminho para que começássemos Nele e Nele terminássemos. E sua ação se
fez carne de nossa carne, e morou entre nós. Assim, entendemos que Ele é o
caminho, mas também é companhia na caminhada. Se Ele é um perfume; nós, uma
essência; exalemos! Se Ele é o caminho; nós, caminhantes; caminhemos! Sendo
assim, refletindo sobre as palavras acima, só nos resta acreditar que é
maravilhoso estar aos pés de Jesus, viver com ele, caminhar com ele, sentir seu
perfume. Aleluia termos nossa iniciação como salvo nele como líder terminar
como Paulo e, no final da carreira, poder falar como ele falou a Timóteo 4,7: “Combati o bom combate, acabei a
carreira, guardei a fé, começar com ele e terminar com ele”. Esse é o grande
desafio para minha geração que é liderada e que lidera: perseverar até o fim. Este
é o desafio das cartas escritas, as igrejas da Ásia menor. Apocalipse 2 e 3 no
final de cada carta há uma promessa ao que vencer darei que se assente comigo
ao que vencer lhe darei uma pedrinha branca, enfim, a recompensa é só para os
que permanecerem firmes. O verdadeiro líder é aquele que consegue
ensinar e preparar outros líderes. Jesus é esse mestre que chama, escolhe,
prepara e envia os seus liderados já formados, com a missão de fazer o mesmo.
Os Desafios
de um Líder Cristão em um Mundo Pós-Moderno
Iniciando este tópico, destaca-se aqui um dos
grandes desafios da modernidade: vencer a falta de tempo em uma época que as
pessoas estão extremamente atarefadas. E, com isso, muitos estão se afastando do
reino de Deus e do que vem a ser liderança. Assim sendo, tratar-se-á sobre a
devoção na pós-modernidade.
Antônio
Tadeu Ayres, em seu livro “Como Entender a Pós-Modernidade”, lembra que o
momento no qual a Igreja de Cristo está inserida é marcado pelo rompimento das
fronteiras sociais, desmantelamento do sistema, quebra de tabus, nova
moralidade, novos critérios éticos e a destruição dos sistemas de valores
presentes nas gerações passadas[9].
A devoção que faz parte do
vocabulário dos atletas e significa treinar para alcançar a excelência. O
exercício disciplinado é que os prepara para terem o melhor desempenho em uma
competição. Essas são as palavras do autor Eugene Peterson.[10]
Para definir os desafios que serão enfrentados em mundo
pós-moderno, é preciso se pautar em três quesitos, quais sejam: ser devoto, ter
a leitura da Bíblia sempre em dia e ser disciplinado. Entender o que Cristo
espera de nós como líderes é também um grande desafio para essa geração.
Exemplo disso buscam-se as palavras de Paulo em Coríntios quando se refere ao
modelo de liderança. “Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês não cheguei
com um discurso eloquente, nem com muita sabedoria para lhes proclamar o
mistério de Deus, pois decidi nada saber entre vocês, a não ser sobre Jesus Cristo,
e este, foi crucificado”. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que
estive entre vocês.
Minha mensagem e minha pregação não consistiram
de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder
do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana,
mas no poder de Deus. 1 Coríntios 2:1-5 [11].
1.Confessar Jesus como
Salvador e Senhor. (I João 5:1-3) 2. Cultivar na vida pessoal um relacionamento
crescente com o Pai, por meio das disciplinas espirituais. (Mt 6:33, Cl 1:9-11)
3. Viver um estilo de vida que reflete o caráter de Cristo e que não enfrenta
atualmente problemas morais (I Tm 3:1-13, 4:12) 4. Concordar com a estrutura de
liderança de pequenos grupos e seguir a orientação de um líder. (Hb 13:7) 5.
Ser membro ativo da Igreja de Cristo e concordar com a missão de Cristo e a
declaração de fé bíblica do Cristianismo verdadeiro. (I Co 4:2) 6. Participar do Treinamento Básico
de Líderes de Pequenos Grupos. (II Tm 2:2) “Liderança bíblica flui de uma vida
devocional rica, a qual você transmite a outros aquilo que lhe tem sido
transmitido, sendo este o motivo pelo qual a liderança bíblica requer um alto
padrão de caráter e competência, tendo as pessoas capacidade para discernir as
evidências de ambos. Seja um líder de caráter enquanto você se torna um líder
competente. A competência virá à medida que você desenvolve suas habilidades;
caráter diz respeito ao seu coração. No fim, Deus recompensará aqueles que se
saíram bem por causa do alto padrão de seu caráter, não simplesmente pelo
tamanho de seus grupos.
Os Conflitos Existentes entre Líderes e Liderados
Para enriquecimento deste artigo, trago o que
aconteceu comigo nas palestras que ministrei para líderes.
Nelas, pude observar que os conflitos existem dentro de sistemas criados pelo
homem, nos departamentos, nos núcleos, nas células, nos Seminários, além de
perceber que o grande problema não estava somente nos liderados, e sim, nos
líderes. Essa é a realidade em muitas igrejas brasileiras, um sistema falido,
de líderes mal preparados e que se acham os donos da verdade e também donos da
igreja. Esses líderes querem ser treinadores de líderes, pois não tratam a
igreja de Cristo como reino. Vale salientar, que sobre essa realidade não se
pode falar nos púlpitos, em programas de rádio, reuniões. Mas aqui, espero ter
liberdade para expressar o que penso.
A partir daí mudei minha metodologia e hoje só ministro palestras
que tratam de liderança cristã, de formação de obreiros e de líderes
discipulados; pois se preciso for, corrigirei os próprios líderes. Quero essa
liberdade, caso contrário, sinto-me uma balança que só tem peso de um lado. Há
uma visão no meio das igrejas brasileiras que precisa ser tirada urgentemente,
que é a visão do crescimento e para tal crescimento trabalham, competem,
disputam cargos, lugares de destaque e até quem mais cresce ganha um bônus. Cristo
rejeita esse modelo de líderes. Imprescindível dizer que meus esforços de hoje
estão em formar líderes segundo o coração de Deus que o amam e que estejam
dispostos a morrer por Ele. Isso é Evangelho; isso é poder de Deus.
Um Chamado para Liderar
Um chamado para liderar é o tema mais polêmico na atualidade.
A pergunta é difícil de ser respondida sem o uso das Escrituras, pois nela
encontramos um referencial para definir o que é um chamado para liderar. João
15,16: Jesus vai declarar o chamado Dele para os discípulos, dizendo que “ a
escolha não é dos discípulos. Ele os escolheu, isso remete que a escolha para
liderar não é nossa, embora tenhamos treinamento de líder que é importante a
atualização dos líderes, mas o chamado vem de Deus, “Não fostes vós que me
escolhestes, eu que vos escolhi e vos designei para que vades e dê frutos”. A escolha
vem de Deus, um chamado para liderar não é coisa de homens, vem de Deus. Jesus
escolheu seus líderes pessoalmente. Deus escolhe seus líderes para a igreja.
Depois da escolha, eles têm tarefas a serem cumpridas. Jesus disse: ”Designei a
vós para que vades e dês frutos, com isso Jesus determinou uma tarefa. O desafio
de um líder apresentado aqui é o de cumprir a tarefa que lhe foi designada, e
que essa tarefa gere impacto, e que esse impacto permaneça. Essa determinação
abre a porta para ser ouvido nas orações. O chamado por Deus é muito importante
na vida do líder cristão. A primeira pergunta é: O que o líder deve fazer, e se
ele for chamado? A voz de Jesus brada e chama os discípulos um a um. Hoje, o Senhor
fala por meio de sua palavra, também gera no espírito humano, pelo seu espírito,
a certeza de um chamado. Essas são duas das respostas básicas que independem da
experiência particular do cristão.
Uma Vida Cheia do Espírito
Existem muitas definições de uma vida cheia do espírito, mas,
deseja-se trabalhar aqui, apenas três definições sobre o que é uma vida cheia do
Espírito. "Cheio do Espírito"
foi o segundo traço de caráter que os Apóstolos solicitaram dos líderes que cuidavam
da distribuição diária, Irmãos.
Escolham entre vocês sete homens de bom
testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa (At
6.3). Há alguma controvérsia com relação ao significado dessa frase, mas é
razoavelmente claro que a "plenitude do Espírito Santo” significa três
coisas: Primeiro, significa que o líder se tornou corajoso e valente. A
realidade do Espírito na vida de um homem como Pedro pode ser vista em seu
sermão no dia de Pentecostes (At 2), e em sua resposta corajosa aos líderes anciãos
dos judeus, que tinham o poder de colocá-lo na prisão e matá-lo. (At 4.8). O
encontro de oração, após as ameaças dos líderes do Sinédrio, resultou em um
novo encher do Espírito. A consequência foi que eles "com intrepidez,
anunciavam a palavra de Deus" (At 4.31). Estevão foi um dos sete que
convenceu a igreja de Jerusalém de que ele estava "cheio do
Espírito". É surpreendente a tremenda coragem com a qual expressou sua
interpretação do Antigo Testamento com relação a Jesus, como o Messias. Ele era
sabedor de qual seria a reação da sinagoga, mais ainda assim, permaneceu calmo
e despreocupado, enquanto a manifestação determinara apedrejá-lo (At 7.54-60)[12].
O autor está demostrando modelos de uma liderança cheia do
Espirito Santo, é importante salientar que percebesse a busca da igreja nos
dias atuais por uma liderança semelhante aos modelos citados, percebesse a
importância de se ter lideres corajosos, cheios do Espirito para liderar e
lidar com questões complicadas e atuais, não basta ser corajoso é preciso
sacrifício e tal sacrifício acontecerá se o líder estiver cheio do Espirito
como Pedro Estevão que mesmo diante de ameaças mantiveram sua postura como
lideres fiéis ao Senhor, Levantando a cabeça e erguendo a voz e anunciando a
Cristo como Salvador. Na mesma linha de pensamento continua o autor afirmar
que:
Liderança e um "espírito de medo “não se
casam. Timidez em um líder não é um sinal saudável, nem promete sucesso (Cf.
2Tm 1.7). Segundo, o enchimento do Espírito é encontrado no zelo e poder
evangelístico que Filipe demonstrou em Samaria. Foi tão impressionante a unção
pela qual Filipe proclamara Cristo (At 8.6), que multidões deram atenção ao que
disse. Além do mais, os demônios gritavam quando foram expulsos das pessoas
possuídas. Ele realizou milagres poderosos de curas de doenças físicas (v.7).
Atualmente, não exigimos de líderes de organizações cristãs que realizem milagres,
mas zelo por Deus e seu Reino são evidências claras da presença do Espírito[13].
Palavras como, zelo e poder evangelístico dão mais ênfase
ao texto do autor: quando o mesmo destaca a importância de um líder que tem uma
vida cheia do espirito, destaca ainda que tal vida gera um líder evangelístico,
que até pode realizar milagres em sua vida e na vida de outras pessoas, mas o
diferencial é o zelo pela palavra de Deus. Sobre o poder do espirito para
pregação das boas novas continua o autor a destacar que:
O significado do controle desimpedido do
Espírito na vida de uma pessoa pode ser observado na vida de White Field. “George
White Field foi imensamente usado por Deus, porquanto ele e John Wesley viraram
de cabeça para baixo a Inglaterra para Cristo, e salvaram, pela graça de Deus,
as ilhas britânicas de uma réplica da Revolução Francesa”. Foi falado a
respeito de White Field, 'Do momento que ele começou, como um jovem, a pregar
até a hora da sua morte, ele não conheceu nenhum abatimento da paixão. Até o
fim da sua incrível carreira, sua alma foi uma chama de zelo ardente pela
salvação dos homens'''. Terceiro, a plenitude do Espírito significa que o líder
não está sozinho. Ele tem um "assistente divino". Sem o Espírito,
será que Filipe saberia que precisava deixar o ministério frutífero em Samaria
e viajar a Gaza para unir-se ao carro do eunuco, mordomo-mor de Candice, rainha
dos etíopes (At 8.26-31)? Ou será que Paulo teria exercido a coragem e o
entendimento de desafiar Elimas, o mágico, e puni-lo com cegueira, para que o
pró-cônsul de Chipre viesse a crer no Senhor (At 13.7-1O)? Permanece de
importância máxima que o líder saiba a mente do Senhor antes de tomar decisões
que venham afetar a sua vida e a vida de outras pessoas. Todos os filhos de
Deus devem ser guiados pelo Espírito (Rm 8.14) ou "andar no Espírito"
(GI 5.16,25).[14]
O que fica claro aqui ainda é
a importância de se ter um líder que seja cheio do Espírito e que, com isso,
possa se atingir a plenitude mencionada pelo autor, pois desta maneira fará
tudo para a glória de Deus e, consequentemente, será um líder que se deixará
liderar. Verificasse que é impossível liderar sem ser liderado.
Conclusões e Considerações Finais
O
presente artigo demonstrou que falar de liderança cristã na atualidade é um dos
grandes desafios, e a proposta aqui apresentada foi contribuir para o diálogo
entre líderes e liderados. Pôde-se observar que, quando se trabalha o perfil de
um líder, tem-se aí o porquê dos grandes conflitos. Sendo assim, percebeu-se
que para ser um bom líder, é preciso estar ciente de seus deveres enquanto
líder, uma vez que os conflitos acontecem hoje pelo não cumprimento do papel de
cada líder. Nesse sentido, a Bíblia nos dá um respaldo para definir o que é
liderança e os desafios que ela enfrenta na modernidade, destacando-se que, uma
vida cheia do espírito ajuda o líder a vencer os desafios de liderar em um
mundo pós-moderno. Outro ponto fundamental foi o relato bíblico trazido sobre o
posicionamento das Escrituras Sagradas referente à liderança cristã, o qual
deixou bem claro que é impossível liderar, sem ser liderado. Por derradeiro, diante
do cumprimento da proposta que foi apresentada, sugere-se que cada leitor deste
artigo deva, cada vez, mais e mais sentir o gosto pela escrita, principalmente,
sobre liderança cristã, que é um assunto inesgotável e deveras fascinante.
Referências
Bibliográficas
Bibliaonline.
Almeida corrigida e revisada fiel.
Disponível em:http://biblia.gospelprime.com.br/acf/exodo/3/.
Acessado em: 12/08/2015.
INSTITUTOBÍBLICO-TEOLÓGICO ALIANÇA
CRISTÃ. Noções de liderança cristã, p.13.
Campo Grande - Mato Grosso do Sul: 2009.
MATTA,
Márcio. Revista Recursos Espirituais. 4ª edição.Disponível em:<www.enrichmentjournal.ag.org/>
acessado em: 13/08/2015.
SANTANA,
Romério de Mello.Seguindo os Passos de
Jesus. EditoraPaulus.
São Paulo-SP. 2013, p.8.
SPURGEON. Charles Haddon. O chamado para o ministério. Editora Pes [1980] década aproximada, p.10 a 14.
SHEED,
Russell P. O líder que Deus usa: resgatando
a liderança bíblica para a Igreja no novo milênio. Tradução Edmilson E
Bizerra. - São Paulo: Vida Nova. 2000, p 128.
TADEU, Antônio Ayres. Como Entender a Pós-Modernidade. Editora
Independente, São Paulo. 1998, p. 6.
PETERSON,
Eugene. Um pastor segundo o coração de
Deus. Editora:Textus, Niterói-RJ. 2000.
[1] Jeverson Nascimento é Bacharel em Teologia pela UNICESUMAR, mestrando em Aconselhamento
Pastoral pela FTBP, escritor, seminarista e diretor do CETESC - Centro de
Teologia de Santa Catarina -, professor de Homilética, Angelologia e Ensino Religioso
pela ETEADSJO - Escola Teológica da
Assembleia de Deus de São José - SC, Pastor, membro da CIADESCP (Convenção das
Assembleias de Deus do Estado de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná) e membro da
CGADB, Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.
prjeverson@gmail.com
[2] INSTITUTO
BÍBLICO-TEOLÓGICO ALIANÇA CRISTÃ. Noções
de liderança cristã, p13. Campo Grande - Mato Grosso do Sul: 2009.
[3]Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel.
Disponível em:http://biblia.gospelprime.com.br/acf/exodo/3/.
Acessado em: 12/08/2015.
.
[4]Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel.
[5]Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel.
[6]MATTA, Márcio. Revista Recursos
Espirituais. 4. ed.
[7]Bibliaonline. Almeida corrigida e revisada fiel.
[8][8] SANTANA, Romério de Mello. Seguindo os Passos de Jesus. EditoraPaulus.São
Paulo- SP.2013, p.8.
[9] TADEU, Antônio Ayres. Como Entender a Pós-Modernidade.Editora Independente, São Paulo.
1998, p. 6.
[10]
PETERSON, Eugene. Um pastor segundo o
coração de Deus. Editora:Textus, Niterói-RJ. 2000.
[12] SHEED, Russell P. O líder que Deus usa:
resgatando a liderança bíblica para a
Igreja no novo milênio. Tradução Edmilson E Bizerra. - São Paulo: Vida
Nova. 2000, p 128.

Comentários
Postar um comentário